10 livros para entender a realidade das mulheres ontem e hoje – Parte 1

Para quem gosta de ler, bons livros são muito bem-vindos. E eles nem sempre precisam ser obras de ficção: ler ensaios, estudos e análises também é uma delícia e nos ajuda a formar um repertório bem mais amplo de ideias e assuntos.

Que tal incluir a história e a realidade das mulheres em seus conhecimentos adquiridos pela leitura de qualidade? Selecionamos 10 livros que ajudam a entender o que é ser mulher neste mundão cheio de evoluções e que, mesmo assim, às vezes parece ter parado no tempo. Veja a primeira parte:

  1. “Mulheres, Cultura e Política” – Angela Davis

Discursos e artigos da ativista política norte-americana Angela Davis estão compilados em três grandes temas – Sobre as mulheres e a busca por igualdade e paz, Sobre problemas internacionais e Sobre educação e cultura –, formando um panorama de sua luta pela mudança social. Com estatísticas e dados históricos, ela apresenta as condições das mulheres, da classe trabalhadora e da população negra nos EUA nos anos 1980. Parece distante, mas tudo ainda é super atual: algumas de suas grandes preocupações são a concentração de renda e a necessidade de lutar pela educação para todos.

  1. “Lei Maria da Penha: Uma Análise Criminológico-Crítica” – Marilia Montenegro

Lançado em 2015, o livro traz uma análise de quase uma década da Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006). O foco escolhido por Marilia Montenegro é a relação entre o sistema penal e o sistema punitivo com os vínculos familiares e afetivos que envolvem a lei. É uma visão bem crua de como ela é aplicada e de como isso pode acabar criando um ciclo infinito de violência doméstica contra a mulher em vez de protegê-la. É daqueles livros que a gente lê e depois fica pensando, pensando e pensando mais um pouco sobre o está escrito nele.

  1. “10 Lições Sobre Hannah Arendt” – Luciano Oliveira

Chocada com o fenômeno totalitário do começo do século 20, a filósofa alemã defende nos artigos deste livro as liberdades públicas. Hannah volta a Atenas para falar sobre como a estrutura da polis seria uma boa ideia no que diz respeito à esfera pública de seu tempo e arrisca dizer que não é tarefa da política resolver as questões sociais. Tudo isso dando destaque ao papel da mulher na sociedade – como é e como deveria ser.

  1. “Sejamos Todos Feministas” – Chimamanda Ngozi Adichie

Este ensaio é uma adaptação do discurso de Chimamanda no TEDx Euston – aquele que foi sampleado por Beyoncé. A autora nigeriana parte de sua experiência como mulher africana para analisar o que é ser feminista no século 21 – feliz, que não odeia homens e se arruma para si, não para os outros – e por que o feminismo está aí para beneficiar mulheres e homens. Ela também levanta reflexões sobre como criar meninas para serem o que quiserem e meninos para serem mais livres, sem precisar se encaixar em características de “machões”.

  1. “Um Teto Todo Seu” – Virginia Woolf

Baseado em palestras que a inglesa deu em 1928 na Newham College e na Girton College, escolas para mulheres da Universidade de Cambridge, o ensaio reflete sobre a posição social da mulher, em que medida ela influencia na produção literária e como será possível conquistar mais espaço, literal e figurativamente, para as escritoras em uma área dominada pelos homens. Aqui, Virginia bate bastante na tecla de que a mulher não tem liberdade para expressar seus pensamentos. Esta edição tem, ainda, trechos de diários da autora.

Fonte: M de Mulher