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6 livros inspirados em Guerras Medievais históricas

Durante 116 anos, entre meados do século XIV até a metade do século XV, França e Inglaterra se envolveram numa série de conflitos causados por disputas feudais que escalaram para uma guerra pelo trono francês. A longa batalha, chamada de Guerra dos Cem Anos, causou grandes transformações na Europa Ocidental, além de marcar a mudança da Idade Média para a Idade Moderna. Cerca de dois anos após a vitória francesa e o fim do conflito, a Inglaterra, devastada por mais de um século de brigas, encarou mais vinte anos de disputas internas por seu trono: uma briga entre as casas York e Lencastre, que ficou conhecida como Guerra das Duas Rosas. O conflito só teve fim em 1485, quando Henrique Tudor assumiu o trono e fundou uma nova dinastia.

Ambos conflitos foram bastante marcantes para a história, com direito a traições, reviravoltas, intrigas, batalhas épicas e acordos escusos, além, claro, de líderes e aspirantes ao poder com personalidades interessantes. Parece uma receita perfeita para um livro, certo? Bom, vários escritores concordam, tanto que a Guerra dos Cem Anos e a Guerra das Rosas servem como inspiração e pano de fundo para várias tramas literárias de ficção. Conheça 6 obras que usaram tais fatos históricos em seu enredo.

  1. As Crônicas de Gelo e Fogo, George R.R. Martin

George R. R. Martin não esconde de ninguém que seu violento Jogo dos Tronos tem grande inspiração nos conflitos da Guerra das Rosas, com várias semelhanças entre a disputa dos Starks x Lannisters e a dos York x Lencastre. As semelhanças não param no fato de duas famílias disputarem o poder pelo reino. Vários personagens de Game of Thrones têm personalidades bem parecidas com a nobreza do século XV. Martin já deixou bem claro em suas entrevistas que se inspirou nos personagens históricos desses períodos de guerras para escrever as tramas de seus livros.

Por exemplo, o terrível Casamento Vermelho foi inspirado em eventos que ocorreram na Escócia: em 1440, ocorreu o Jantar Negro, quando o Rei Escocês matou um clã nobre depois de recebê-los para festividades no palácio, com direito a tambores e cabeça de javali negro servida à mesa antes do massacre. Séculos depois, em 1692, ocorreu o Massacre de Glencoe, quando a família MacDonalds atrasou para entregar seu juramento de aliança ao novo rei e acabou sendo morta dentro de casa, em suas camas, por um grupo de homens “disfarçados” de hóspedes.

  1. Os Reis Malditos, Maurice Druon

Maurice Druon escreveu a série de sete livros Os Reis Malditos entre os anos 50 e 70. O autor francês se baseou na história dos monarcas da época da Guerra dos Cem Anos para criar seu romance histórico. Uma recente edição inglesa dos livros recebeu comentários de George R.R. Martin: “Os Reis Malditos tem de tudo. Acredite em mim, os Starks e os Lannisters não venceriam os Capetos e Plantagenetas. É o jogo dos tronos original”.

Os livros da série contam a história dos últimos cinco reis da Dinastia Capetiana, além dos dois primeiros líderes da Casa Valois. A narrativa começa em 1314, último ano do reinado de Felipe IV. Esse rei destrói a Ordem dos Templários e rouba suas riquezas. O último cavaleiro a ser enviado para a fogueira amaldiçoa até a décima terceira linhagem do Rei. O que se segue é uma mistura de ficção e realidade, com personagens históricos como a Rainha Isabel de França (também é uma das inspirações para Cersei Lannister) e Roberto de Artois.

  1. A Busca do Graal, Bernard Cornwell

Bernard Cornwell é autor de vários romances históricos best-sellers. Como escritor do gênero, ele não poderia deixar de abordar a Guerra dos Cem Anos em seus enredos. A trilogia A Busca do Graal faz uma excelente mistura entre ficção e realidade ao contar a história do jovem Thomas de Hookton, que vê seu pai ser assassinado e acaba se juntando ao exército do Rei Eduardo III como arqueiro. O Rei Eduardo foi um dos responsáveis pelo início da guerra, ao se declarar o herdeiro legítimo do trono francês em 1337.

Ao mesmo tempo que a busca de Thomas pelo Santo Graal é completamente ficcional, o personagem passa por períodos históricos importantes como a Batalha de Crécy – o primeiro grande confronto entre franceses e ingleses, vencido pelos últimos graças à estratégia de guerra do Rei Eduardo, que posicionou seu exército no topo de uma colina e conseguiu assim ganhar, mesmo tendo menos da metade de homens lutando -, a peste negra, o Cerco de Calais – que durou quase um ano, também com vitória inglesa – e a invasão escocesa em 1347.

  1. Guerra entre Primos, Philippa Gregory

A série Guerra entre Primos, de Philippa Gregory, narra a Guerra das Rosas de uma maneira diferente: através dos pontos de vista das mulheres envolvidas nos jogos de poder do conflito. A série já tem três livros publicados no Brasil. A Rainha Branca conta a história de Isabel Woodville (o nome em inglês é Elizabeth), que se casou secretamente com o Rei Eduardo IV, mesmo ele estando comprometido a se casar com a cunhada do rei da França (a história é bem semelhante à de Robb Stark, em Game of Thrones). Elizabeth não era muito popular entre os súditos, devido às suspeitas de que ela usou bruxaria para conquistar o rei – Gregory explora exatamente essa premissa. O livro também traz uma abordagem ficcional para o caso do sumiço dos príncipes da Torre, Eduardo V e Ricardo de Shrewsbury, filhos de Isabel e Eduardo. Por fim, a filha dela, Isabel de York, casou-se com Henrique Tudor.

Já a Rainha Vermelha conta a história da condessa Margarida Beaufort e sua luta para conseguir que seu filho, Henrique Tudor, subisse ao poder durante a Guerra. Por fim, A Senhora dos Rios narra a história de Jacquetta de Luxemburgo, mãe de Isabel Woodville. Os outros três livros da série ainda não foram lançados no Brasil.

  1. Ricardo III, Willian Shakespeare

Tecnicamente, Ricardo III não é um livro, mas uma peça de Shakespeare. O que importa é que esse é um dos trabalhos mais reconhecidos do famoso dramaturgo e conta justamente parte da história da Guerra das Rosas. O pano de fundo é basicamente o mesmo do livro A Rainha Branca, mas o ponto de vista é de Ricardo III, irmão de Eduardo IV, que sempre almejou o poder e executou várias tramas bem escusas para conquistá-lo. Ricardo não só traiu o irmão e planejou sua retirada do trono como também acredita-se que ele tenha sido responsável pelo assassinato dos sobrinhos, no caso do sumiço dos Príncipes da Torre.

O drama escrito por Shakespeare se passa em cinco atos. Desde as tramas de Ricardo, quando ainda era Duque de Gloucester, passando por sua suspeita ascensão ao poder como Rei da Inglaterra, até sua queda, morrendo em batalha contra Henrique Tudor, que veio a se tornar Henrique VII. Shakespeare imortalizou a frase “Meu reino por um cavalo”, que teria sido dita por Ricardo durante a batalha.

  1. A Companhia Branca, Sir Arthur Conan Doyle

Conan Doyle é famoso pelas aventuras de Sherlock Holmes. Mas não, ele não usou nenhuma das guerras como pano de fundo para suas histórias de detetive. Em 1891, o autor escreveu A Companhia Branca, história fictícia que se passa durante a Guerra dos Cem Anos. Tal Companhia é formada por um grupo de arqueiros mercenários ingleses que parte para a França para lutar em favor do Rei Eduardo III e de seu filho Eduardo, o Príncipe Negro – responsável pela vitória contra os franceses na Batalha de Crécy.

O livro não é muito conhecido hoje em dia, mas a trama histórica é um dos livros preferidos de Sir Arthur, mais do que os livros que o deixaram famoso. A história se passa nos anos de 1366 e 1367, antes da Batalha de Nájera, quando o Príncipe Negro estava em campanha para restaurar Pedro de Castilha no trono da Espanha.