FLIP homenageia Lima Barreto
Um dos maiores escritores do Brasil!

A 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) homenageou o escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto, nascido em 13 de maio de 1881 e morto aos 41 anos em 1º de novembro de 1922.

A curadora do evento, Joselia Aguiar, conta que a homenagem a Lima Barreto estava, há alguns anos, nos planos da organização. “Lima Barreto já estava nos planos da Flip há algum tempo”, disse. Embora seu nome tenha sido citado no final de 2013 entre os prováveis homenageados, as edições seguintes da festa destacaram Millor Fernandes, Mário de Andrade e Ana Cristina Cesar.

“Era realmente o momento de trazer Lima Barreto, até porque o país e o mundo têm discutido bastante a questão racial. Era uma forma de contribuir para essas discussões”. Joselia esclareceu que embora essa questão tenha destaque na obra de Barreto, a Flip vai destacar toda a potencialidade do autor. “É uma feira com muita literatura em todos os gêneros que ele [Lima Barreto] exerceu. Tem uma pluralidade muito grande de autores e a ideia é trazer diálogos e debates novos, para que as pessoas tenham na Flip um estímulo para conhecer autores, livros e ficar um pouco mais a par de discussões contemporâneas”.

Lima Barreto perdeu a mãe, Amália Augusta, que era uma escrava liberta e professora, aos seis anos de idade. O pai, o tipógrafo João Henriques, tomou conta do menino e de outros três filhos mas, poucos anos depois, foi diagnosticado como neurastênico, ficando recolhido pelo resto da vida. A doença do pai fez Lima Barreto abandonar os estudos na Escola Politécnica para sustentar a família. Em 1903, iniciou vasta colaboração com a imprensa, publicando artigos e crônicas em jornais como o Correio da Manhã e o Jornal do Commercio.

Na revista Floreal, que fundou com amigos, iniciou a publicação do folhetim Recordações do Escrivão Isaías Caminha, que foi publicado em livro em 1909. Em 1911, publica, no Jornal do Commercio, Triste Fim de Policarpo Quaresma, que é editado em livro em 1915. Barreto pagou a edição com recursos próprios.

O alcoolismo e a depressão o levaram a ser internado pela primeira vez, em 1914. Seu estado de saúde piorou e ele se aposentou por invalidez em 1918, na Secretaria de Guerra, para onde havia feito concurso em 1903. No ano seguinte, publica o romance Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá. Em 1921, tenta o ingresso, pela terceira vez, na Academia Brasileira de Letras, e desiste antes da votação.

O escritor foi homenageado no carnaval carioca de 1982 pela Escola de Samba Unidos da Tijuca, com o samba-enredo “Lima Barreto, mulato pobre mas livre”.